quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Sejam bem-vindos ao novo Barcelona

É engraçado pensar que o Barcelona, depois de ganhar os dois grandes títulos espanhóis na temporada passada, teve que vencer mais dois jogos para ser nomeado “supercampeão da Espanha”. 


De qualquer forma, missão cumprida sem dar a mínima chance ao Sevilla. A taça da Supercopa foi erguida antes mesmo do troféu do Campeonato Espanhol, que será entregue só no sábado. Vai entender a Federação Espanhola…

Com a lesão de Iniesta, sobrou para Messi, segundo capitão na hierarquia do clube, erguer a taça de campeão. A primeira de muitas que ele ainda irá erguer, sem dúvida alguma. O simbolismo do momento vale muito, talvez até mais do que o próprio título. Supercopas vêm e vão, não são títulos tão importantes, mas a taça erguida por Messi faz essa edição do torneio ser especial e entrar para a história do clube e do próprio jogador.

 
A partida parecia ter sido uma honrosa despedida para Cláudio Bravo, que todos imaginavam que seria anunciado pelo Manchester City amanhã. Sair com mais um título, sem levar gols nos últimos jogos e ainda pegando um pênalti, não havia forma melhor para dar adeus ao clube. Os abraços em todos os companheiros depois da partida pareciam ter um tom de adeus, mas segundo o diretor de futebol do clube, o chileno estará em campo no sábado, contra o Bétis. Veremos qual será o desenrolar dessa história.

E o principal é que a Supercopa, especialmente o duelo de volta no Camp Nou, serviu para nos apresentar um novo Barcelona. Dos 11 jogadores que atuaram na vitória por 3 a 0, 7 deles devem começar a temporada com status de reserva, fora do XI de Gala: Vidal, Umtiti, Digne, André Gomes, Denis Suárez, Munir e Arda. Quatro deles são contratações feitas na janela atual, dois deles, André e Umtiti, estrearam hoje. Ter tantas opções no elenco é uma novidade para Luis Enrique.

Mesmo com tantos reservas, foi um time forte, que se impôs perante ao Sevilla ainda que a partida tenha ganho ares de amistoso depois do primeiro gol. Umtiti fez um pênalti, mas isso não diminui a ótima atuação que teve na defesa. O francês é uma barreira difícil de derrubar. Digne manteve as boas impressões que vem passando desde a pré-temporada, coroando a atuação com uma assistência perfeita para o gol de Messi (de cabeça!).

Denis Suárez, em sua atuação tecnicamente mais fraca desde que estreou na pré-temporada, manteve seu bom entendimento tático. Mesmo errando bastante nos passes, ele mostrou plena consciência de seu papel na equipe. André Gomes, estreante, participou da criação da jogada de dois gols. O lançamento para Digne na jogada do gol de Messi foi espetacular. Ainda precisa se adaptar à sua função tática na equipe, mas tecnicamente foi uma atuação muito sólida.

Também se destacaram dois “reforços” do clube, jogadores que mostraram uma evolução enorme desde o fim das férias. Arda Turan, autor de dois gols, mantém o crescimento que desde o primeiro jogo da pré-temporada venho apontando aqui. Ainda que alguns tentem dizer que ele foi “dinheiro jogado fora”, a evolução era clara. Tecnicamente, é um jogador com muito recurso, como vimos no segundo gol feito por ele hoje. Taticamente, ele enfim está se encaixando melhor na equipe. Seja como atacante ou meia, ele será muito mais bem-sucedido nessa temporada do que foi na passada.

A confiança que Arda ganhou parece ter contagiado Munir. Defendi aqui sua permanência, apesar de ser improvável que isso aconteça, e novamente ele teve uma boa atuação, mostrou habilidade e uma dedicação enorme aos aspectos táticos do jogo. Não é o mesmo jogador da temporada passada, está muito mais preparado para atuar no time principal do Barcelona. Uma pena que dificilmente ele terá essa chance nessa temporada.

Foi surpreendente ver Suárez começar e terminar o jogo no banco. Será isso um indício de que as rotações chegarão ao trio MSN nessa temporada? É possível, porque Luis Enrique está certo: é o melhor elenco que ele tem em suas mãos desde que chegou ao Barça. Se ele conseguirá guiar esses jogadores aos títulos, o tempo dirá, mas as opções para rodar o elenco e mudar a equipe taticamente durante os jogos nunca foram tão amplas.

É um novo Barcelona, mais forte e completo do que era antes. Veremos onde essa força conseguirá nos levar na temporada.

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